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Youtubers franceses são acusados de assediar fãs menores

yotuber

Squeezie denunciou influenciadores digitais e o assunto ganhou força nas redes sociais

Uma nova onda de denúncias de assédio sexual, dessa vez dirigido a menores de idade, está ganhando forma entre usuários europeus na internet. A onda ganhou espaço depois que o youtuber francês Squeezie denunciou outros "influencers" que estariam usando o próprio prestígio adquirido na rede mundial para seduzir fãs com idades que podem chegar aos 14 ou 15 anos. Squeezie não citou nomes de seus colegas, mas nas redes sociais fãs vieram à tona para falar sobre os casos mais rumorosos envolvendo astros juvenis.

Segundo o youtuber, seus colegas teriam relações sexuais com jovens "psicologicamente frágeis", valendo-se da fama e da possibilidade de contato direto com a audiência. As denúncias vieram a público depois que Lucas Hauchard, verdadeiro nome de Squeezie, de 22 anos, resolveu falar sobre o assunto.


Estrela na internet na França desde 2011, hoje com 11 milhões de seguidores no YouTube, site de vídeos da gigante americana Google, o jovem decidiu revelar as práticas de seus colegas, sem evocar seus nomes, em dois tweets publicados na segunda-feira, 6 de agosto.

"Os youtubers, inclusive aqueles que alegam ser feministas, aproveitam-se da vulnerabilidade psicológica dos jovens seguidores para conseguir relações sexuais. Nós estamos vendo", disse o jovem, em um tweet replicado 48 mil vezes até a noite de domingo, 12. "A verdade acaba sempre por vir à tona."

Em uma segunda mensagem, Squeezie se explicou, justificando o fato de não ter revelado os nomes. "Não quero fazer acusações precipitadas, mas os envolvidos não estão forçosamente entre os que vocês estão pensando", ponderou. "Eu queria em um primeiro momento colocar o dedo na ferida dessas práticas e incitar os envolvidos a parar de forma imediata. Tratar do tema é complexo e precisa de tempo."

A iniciativa detonou uma reação em cadeia nas redes sociais, em que fãs começaram a denunciar outros youtubers, seus assediadores, não raro fornecendo nomes e materiais de provas, como cópias de telas e diálogos. Com o passar das horas, uma hashtag sobre o assunto, #balancetonyoutuber - "denuncie seu youtuber" -, foi criada na internet sob a inspiração de outra iniciativa do gênero, a #BalanceTonPorc - "denuncie seu porco", versão francesa do movimento #MeToo, que tomou a web no final de 2017.

Em meio às manifestações, várias jovens, entre elas meninas de 15 e 16 anos, relataram os casos de assédio que teriam enfrentado. Solicitações de "nudes", fotografias de nus com ou sem identificação, são das mais usuais. Uma reportagem de investigação publicada dois dias depois pelo jornal Le Parisien confirmou casos com o que o jornal considerou provas do assédio.

Entre os nomes apontados com supostas evidências de assédio estão Wass Freestyle, FromHumanToGod, Math Podcast e Anthox Colaboy, todos estrelas do YouTube. Vários dos citados permaneceram em silêncio ou negaram qualquer atividade ilícita relacionada aos seus fãs na internet. Colaboy, de 29 anos, trocou mensagens com uma jovem de 15 anos, que testemunhou ao Parisien e à rádio Europe 1. "Você já fez (sexo)? Se você teve uma má experiência, eu garanto que na próxima vez vai ser diferente. (...) Se um dia nos virmos, eu te c... com prazer", diz ele em mensagens mostradas pela jovem.

Em um vídeo, o acusado desmentiu as acusações. "Vocês estão sujando a minha imagem me fazendo passar por assediador de meninas", protestou.

As denúncias em curso na França não são inéditas. Nos Estados Unidos, várias acusações semelhantes foram feitas contra "influencers". Um deles, Austin Jones, responde a processo em liberdade desde o ano passado por ter solicitado "nudes" a suas seguidoras, menores de idade. (Terra)

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