A intensidade do tornado que atingiu São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, no sábado (10), foi classificado como F2 na Escala Fujita, que vai até cinco, segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar). Assista acima.
De acordo com o órgão, os ventos chegaram a 180 km/h e o percurso foi de cerca de 1 km, não tocando o tempo todo no chão.
"Essa escala [F2] vai de 180 km/h até 220 km/h. Então, a gente classifica o tornado como F2 na escala mais baixa, de aproximadamente 180 km/h", disse o meteorologista Leonardo Furlan.
A classificação feita pela Escala Fujita é usada no Brasil para medir a gravidade dos tornados com base nos danos provocados. Quanto maior for a destruição, maior é a categoria atribuída ao fenômeno. A escala vai de F0 a F5.
“Foi um tornado relativamente estreito, pequeno em extensão horizontal, mas que provocou danos significativos aqui na região. Em alguns momentos a nuvem funil tocava o solo, sua circulação interagia com o solo configurando o tornado, e em outros momentos ela subia e o dano não era identificado. Ou seja, os danos foram pontuais”, explica Leonardo Furlan, meteorologista do Simepar.
Segundo ele, a célula de tempestade mais severa se desenvolveu no fim da tarde sobre Almirante Tamandaré e Colombo, se deslocou sobre Curitiba provocando ventos intensos e precipitação de granizo, e foi até São José dos Pinhais. Depois, a mesma célula de tempestade ainda seguiu o trajeto até o Litoral paranaense, ocasionando forte tempestade na região de Guaratuba e Matinhos.
"No sábado (10) o tempo estava bastante instável no Paraná, com muita oferta de calor e umidade, e impactado por um sistema de baixa pressão que se formou entre o Uruguai e Rio Grande do Sul, mas que se deslocou para o oceano. A mudança dos ventos em altitude também favoreceu a ocorrência de pancadas de chuva e tempestades em toda a faixa Leste do Paraná", explica o Simepar.
O tornado provocou diversos estragos no município, principalmente no bairro Guatupê. De acordo com a Defesa Civil Estadual, o tornado de sábado atingiu 350 residências e impactou 1,2 mil pessoas. Duas pessoas ficaram levemente feridas.
O bairro Guatupê foi um dos mais atingidos pelo fenômeno. Na região e em outros bairros próximos, as equipes registraram quedas de árvores, danos à rede elétrica, desabamento de muros e a queda de telhado e pilares de uma empresa.
Ao todo, duas famílias ficaram desalojadas. Para atender os moradores atingidos, os bombeiros e a Defesa Civil entregaram 92 lonas para famílias da região.
Em nota, a Prefeitura de São José dos Pinhais informou que atua no atendimento às ocorrências registradas e realizam vistorias técnicas, com o objetivo de avaliar riscos estruturais e definir as medidas necessárias para assegurar a segurança dos moradores.
"A Prefeitura de São José dos Pinhais permanece com monitoramento contínuo e equipes de prontidão, e seguirá acompanhando a situação, adotando todas as medidas necessárias para minimizar os impactos e prestar o suporte adequado à população", diz a nota.
Como funciona a classificação
Existem duas formas principais de classificar tornados, a Escala Fujita (F) e a Escala Fujita Aprimorada (EF). No Brasil, a versão aprimorada não é adotada oficialmente. O Simepar utiliza a Escala Fujita tradicional.
De acordo com o Serviço Meteorológico Nacional dos Estados Unidos (NWS), a análise é feita a partir dos estragos deixados pelo tornado. Especialistas avaliam estruturas atingidas, como casas, galpões, árvores e postes, para estimar a velocidade do vento que atuou no local por, pelo menos, três segundos.
A partir dessa estimativa, o tornado recebe uma classificação.
Escala Fujita (F)
F0: ventos entre 65 km/h e 116 km/h — danos leves
F1: ventos entre 116 km/h e 180 km/h — danos moderados
F2: ventos entre 180 km/h e 253 km/h — danos consideráveis
F3: ventos entre 253 km/h e 332 km/h — danos severos
F4: ventos entre 332 km/h e 418 km/h — danos devastadores
F5: ventos entre 418 km/h e 511 km/h — destruição extrema
Escala Fujita Aprimorada
A Escala Fujita Aprimorada (EF) é usada oficialmente em países como os Estados Unidos desde 2007. Ela também vai de EF0 a EF5 e segue o mesmo princípio de estimar a força do tornado a partir dos danos observados, não de medições diretas do vento.
Segundo o NWS, essa escala utiliza uma lista de 28 indicadores de danos, que incluem diferentes tipos de construções e estruturas. Cada indicador recebe uma pontuação, e o conjunto dessas informações define a categoria final do tornado.
Além disso, por ter sido desenvolvido nos EUA, a escala leva em conta as práticas construtivas americanas, que não refletem necessariamente as utilizadas no Brasil. Ao contrário daqui, as casas nos EUA não costumam ser feitas em alvenaria, por exemplo. Por esse motivo, os profissionais que fazem as medições em outros países precisam adaptar os parâmetros para estimar a velocidade dos ventos.
G1